Os sinos da capela soavam, ao meio dia, mamãe no fogão à lenha fazendo o nosso almoço, papai na roça, lavorando, para nos dar o que comer. Eu e meus irmãos e irmãs, brincávamos no terreiro, eu como filho mais velho cuidava de todos, especialmente de José, o filho caçula de qual era deficiente, vivia em uma caixa velha, não conseguia andar e nem falar.
Mamãe todos os dias nos chamava-nos para almoçar e se arrumar para ir pra escola, ela sempre quis que tivéssemos um futuro diferente do dela. Almoçávamos e nos arrumávamos, e íamos para escola, a escola muito distante de nossa casa, andávamos muito para chegar até ela.
Íamos quatro em uma bicicleta velha, eu guiando, levando os três. Um ia no guidão, outro no cano e outro na garupa. Sempre chegávamos atrasado na escola, porque nossa casa era longe. Chegávamos quietos e atentos para todas as explicações da professora, éramos inteligentes, sempre os mais situados da classe, recebíamos elogios todos os dias, pois éramos aplicados e educados.
Mas a inveja dos outros alunos nos prejudicava, uns moravam na cidade, e não ligavam para escola, iam porque eram obrigados, bagunçavam e ainda por cima respondia mal a professora. Depois de todos os dias de aula voltávamos para casa, mais uma longa caminhada até lá. Íamos cantando e conversando sobre o dia de aula. E assim era a nossa simples e humilde vida, sempre tranqüila.
Chegávamos em casa e ajudávamos mamãe com algumas coisas, como a janta. Fazíamos nossas lições e jantávamos. Dormíamos cedo, pois não tinha nada para fazer, não tinha luz, só uma lamparina, não tinha televisão, somente uma radiola de papai. Antes de dormir papai cantava algumas musicas com seu violão velho, com as gordas esgotadas, e sua voz rouca, de tanto trabalhar. Assim éramos felizes, nunca passamos fome, e nem necessidades. E no outro dia acordávamos, brincávamos e íamos para escola, sempre a mesma coisa.
Em um dia normal, chegávamos da escola, quando deparamos com uma multidão de vizinhos em frente a nossa casa, viram-nos chegando, olhavam para nós com cara de dó. Ficamos sem entender nada, descemos da bicicleta e entramos para dentro de casa, chegamos perguntando de mamãe, e minha tia Maria, nos acolheu chorando, então perguntamos de papai, ai ela chorava mais. Nesse momento senti uma dor no peito, um sentimento de solidão, sai correndo dos braços de minha tia e fui ate o quarto. Chegando lá encontrei mamãe e papai deitados na cama, ensangüentados.
Me desesperei, gritei, chorei, não me controlei, fui correndo abraçar os dois, chamando-os, “ PAPAI, MAMÃE, ACORDEM POR FAVOR!” mas já era tarde demais, e vi que nenhum dos dois estavam mais vivos, sai correndo pro terreiro, e meus irmãos veio atrás de mim, e me perguntavam o que estava acontecendo, eu como filho mais velho, não queria deixar eles desesperados, mais do que estavam, fui falando calmamente, chorando: “ Papai e mamãe, não estão mais conosco!” Minha irmã Mariana, a segunda mais velha, um ano mais nova que eu, começou a chorar, desesperada, ela saiu correndo para o quarto, chegando lá desmaiou quando viu aquela cena chocante, levaram ela para fora, e nós fomos ate ela.
Logo depois chegou um doutor, senhor Silva, veio nos consolar. E nos levou para sua casa. Não éramos mais felizes, pois não tínhamos mais mãe e pais. Mas senhor Silva nos acolheu super bem, com sua esposa Judite. Eles passaram a ser a nossa família, ficaram felizes também, já que Judite não podia ter filhos.
Vivemos ali por muitos anos, ate que nos formamos: Mariana virou professora, Flavio dentista, Raimundo Médico e Eu jornalista. José mora com eles até hoje, pois ainda precisa de cuidados. Agradecemos todos os dias a Deus por ter colocado senhor Silva e Judite em nossas vidas, eles tamparam o buraco que mamãe e papai, deixaram em nossos corações.
Até hoje não sabemos certo, o que aconteceu com papai e mamãe naquela tarde. Alguns dizem que foram ladrões, mas não levaram nada. Outros dizem que papai matou mamãe e depois se matou, mas não faz sentido, pois eram muito unidos, dificilmente brigavam. Ainda corremos atrás da verdade.
Este texto foi escrito por:
Orlando Augusto Munhoz Pereira
quinta-feira, 26 de agosto de 2010
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3 comentários:
meu texto *0*
bem melhor que o ' a volta ao dentista' OSIROSRUSORISORS' melhor deishar em off (:
amiiiigooo,aahazouu!!!
Affs.. Isso vai soar meio gay.. Mas eu chorei com isso!! uhashuauhshua' .. Muito bom cara, gostei do seu modo de escrever, passa a emoção e sentimento do texto XD.. Eu já não estava muito feliz por outro motivo.. Lendo então put's.. Parabens ^^
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