quarta-feira, 31 de março de 2010

Doces Sonhos

Lá estava ela com aquele corpo frágil na penumbra de um pequeno quarto, apenas uma vela iluminava o ambiente. Seu corte de cabelo deixava aquele olhar profundo com olheiras a mostra. Lágrimas caíam, mas não era razão de medo, não mais!

Não estava sozinha diante daquelas quatro paredes. Quem será aquele ser? Ela andou até uma mesinha redonda de madeira, pegou uma faca que estava ali. Olhou-a fixamente. Cortou horizontalmente uma pequena parte do seu dedo para ter certeza de que o objeto estava afiado. Aproximou-se com passos curtos de seu convidado.
Lá o estava, amarrado naquela cadeira de plástico branca. Respirava lentamente, tinha os cabelos grisalhos e finos. Agora, ela dava voltas em torno do assento. Foi quando começou a falar:

---Pai, o mundo não é justo, não é mesmo? Sei que o senhor não tem culpa de ter nascido assim, mas não aguento mais. Você pode me dizer em que ano nasci? Vamos...eu sei que você consegue!

O silêncio pairava no ar. As lágrimas continuavam caindo de seu olhar fúnebre . E ele? Bom, ele tinha a cabeça baixa, olhos fechados, estava desmaiado.
Continuou...

---Você nunca me deu um bom dia, e sempre me olhava de um jeito estranho. Lembro-me de como você batia no rosto de minha mãe.Tantos hematomas você deixou...

Sua feição havia mudado, rangia os dentes, demonstrava ódio, muito ódio. Parou em frente a cadeira, levantou a faca na altura do pescoço dele:

---Você poderia mudar? Por que as coisas tinham que ser daquele jeito? Mas não, não se preocupe, agora tudo vai acabar. Sua alma se libertará, você será livre, livre papai! Vamos, cante comigo aquela canção de ninar que nunca saiu dessa boca – e ela começou a cantar entre soluços - Boi, boi, boi, boi da cara preta, pega essa menina que tem medo de careta...

E foi fazendo cortes lentamente no pescoço de seu pai. O sangue escorria, ela não parava. Um pequeno sorriso se fez em seu rosto. “ Boi, boi, boi...” Agora, os cortes já estavam fundos, ele já não respirava. Em algum momento, ela pensou ter o visto de olhos abertos dizendo baixinho “ perdão filha” mas não passava de imaginação. Então, ela passou a mão no rosto dele, beijou-lhe e sussurrou:

---Boa noite papai, durma com os anjos.

8 comentários:

JhooowW disse...

BOI BOI BOI - EU TINHA MEDO DESSA MUSICA Oo... MTOO ALICE ARAGÃO qdo fizer um livro farei questão de ler, más não mostrarei pros meus filhos beijos

Vinicius . disse...

Legal (y)

noone disse...

Boi, boi, boi, boi da cara preta, pega essa menina que tem medo de careta...

;-; confeso que fiquei em shock

Brayan disse...

Nossa... sinceramente, nunca tive medo dessa musiquinha de ninar .-.
Mais essa história é muito... er... profunda(acho que essa seria a palavra) a música é o de menos... O efeito que ela tem na história e oq gira em torno dela é o que faz da história tão legal assim...
Ela te faz pensar nas coisas que aconteceram para levar essa garota a fazer oq fez... (^-^)

Isso pelo menos no meu ponto de vista) .-.

Anônimo disse...

Adoreii essa histórinhaaa...

Unknown disse...

Putz Aliceee Historia Phodaaaaa *-*

AliceAragao disse...

Obrigada gente :}
-
Bom, eu nunca tive medo dessa música, até pensei que fosse ficar uma coisa tosca e tals...mas se vocês gostaram é porque ficou legal rs'
Bom Brayan, coloquei a música para tipo, a história ficar um pouco leve e sentimental, já qe se trata de um pai e uma filha. rs' ódio e douçura :} espero qe tenha gostado...

Brayan disse...

Bom eu gostei mesmo sério... Eu me amarro mesmo em histórias que os outros escrevem XD

Mais sim... a musica deu esse efeito mesmo *-*... Ódio e doçura... Muahaha

E me fez mesmo ficar pensando no que aconteceu para fazer esta menina fazer o que fez... .-.

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