segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Unforgiven

Era muito cedo para aquele telefonema, muito cedo.
(...)
O dia estava nascendo, o alaranjado estonteante no céu, os pássaros voando, e ele, deitado em sua cama, enrolado nas cobertas devido o frio. Deve está sonhando com ela em algum momento feliz, porque sua boca forma um sorriso.
Ela, pobre moça, está lá em cima daquele precipício. Sua pele é pálida e o cabelo bagunçado pelo vento. Observando aquele visual, balbucia algumas palavras bem baixo, várias vezes.
Por que você está tão perto da beira querida?
Ela desliza sua mão pelo bolso e pega um aparelho.
(...)
O doce sonho é interrompido pelo barulho do telefone. Ele acorda assustado. Acende a luz, atende...
-Alô?
-Eu te amo tanto
-Também te amo, Jenny.
-Tá tão frio aqui.
-Onde você está meu amor?
-Você precisa vir algum dia aqui...
-Por que você está chorando, Jenny, onde você está?
-Você precisa me perdoar.
-Para, por favor...
-Meu amor, não chore, você só precisa me perdoar, agora já não tenho mais tempo.
-Me diga onde você tá, eu dou um jeito, juro que dou. Não faça nada.
-Charlie, eu queria que você estivesse aqui, você iria ver... como isso é lindo!
-Eu posso está aí, basta você me falar, por favor.
Um silêncio se fez. Os dois choraram.
...
-Você não pode, não pode. Perdoe-me. – Ela se levantou.
-Não faça nada. – Ele puxava os cabelos.
-Eu te amo. – Deu outro passo, tremia de frio.
-O que eu posso fazer? – Ele se jogava no chão.
-Guarde as coisas boas.
-Jenny...
-Desculpe em ser tão problemática.
-Você é minha vida.
-Mas apenas uma vai acabar.
-NÃO – ele gritou.
-Charlie, não chore, dizem que o amor nunca morre.
Ela pulou e ele, do outro lado, ouviu um barulho e chorou...